Os neoliberais pregam a liberdade, uma liberdade que coloca o indivíduo acima do coletivo. Ignoram que o ser humano se perpetua pela cooperação mútua e pela a vida em coletividade. Mas apesar de utilizarem em parte as ideologias liberais se confundem e caiem na hipocrisia.
O liberalismo foi importante pois nasceu em contraposição às ideias absolutistas, a um pensamento ultrapassado que defendia reis escolhidos por Deus, servidão, o poder na mão de poucos, etc. Pregando esta liberdade o liberalismo impulsionou revoluções e movimentos de independência nas antigas colônias. Pensamento que se torna contraditório ao analisarmos a conjuntura do capitalismo neoliberal que vivemos.
Se lá atrás era pregada a liberdade e a independência, hoje vivemos um novo tipo de colonização: a do capital. Se antes era belo a soberania, hoje acompanhamos a ocupação de diversos países no mundo, através de armas, como a guerra ao "terror", e por meio de manobras políticas e econômicas. Se era fundamental a liberdade individual, hoje os servos se transformaram em trabalhadores explorados. Porém este novo colonialismo é mais perigoso, pois conta com o "consenso da legalidade". Consenso que para poucos (a burguesia) ganharem muito se garante na falsa liberdade.
O consenso vem da eterna busca de quem está embaixo querer estar por cima, de que no sistema de hoje todos temos as mesmas oportunidades e que cada um tem a total liberdade para alcançar o que quiser. Ideia vendida pela burguesia através de meios como a grande mídia, que para se manter separa as classes que deveriam se unir. Um exemplo comum são programas sensacionalistas como Cidade Alerta e companhia, que demonizam criminosos e ignoram a origem dos problemas sociais incentivando ainda mais a violência. Outras provas são as notícias distorcidas, a pressão política através de telejornais e as novelas que criam padrões de vida e descredibilizam as classes mais pobres. Isso tudo para jogar o povo contra o próprio povo, seguindo a lógica de dividir para conquistar.
Você pode ainda não perceber, mas dados comprovam que as classes pobres são as que mais sofrem com a criminalidade e problemas sociais no geral - logo também são vítimas. Por sua vez as denominadas classes médias, na esperança de enriquecerem, são as que mais aderem aos discursos conservadores profanados pela classe rica, como: "bandido bom é bandido morto.", "esse governo só da bolsa.", "todo mundo é igual perante a lei e não existe mais preconceito", etc. Sem perceber que está mais próxima da pobreza do que da riqueza em si. Enfim, a classe rica que domina a grande mídia, fortalece o ódio e desprezo sobre as classes pobres, manipula as chamadas classes médias e vende um discurso embasado na "legalidade" de que a justiça é igual para todos e de que neste sistema cada um colhe o que planta.
Ou seja, está tudo errado. Porém eu sou otimista, e sei que assim como lá atrás a força do próprio liberalismo foi subestimada pelos absolutistas, sei que a força popular vem crescendo e derrubando os argumentos defasados da classe dominante. Agora as classes pobres estão percebendo que pão e circo não são suficiente, a classe média tem visto que ter dois carros e uma casa na praia não é ser rico e a burguesia, a classe verdadeiramente rica, tem corrido contra o tempo para criar novas mentiras que deem base para seus privilégios. O capitalismo neoliberal já não é tão intocável e as pessoas começam a querer entender o socialismo. Já que lá atrás o liberalismo surgiu a partir dos defeitos do absolutismo, e depois o socialismo surgiu a partir dos defeitos do capitalismo gerado pelo liberalismo.
O primeiro ponto diferente é que o socialismo coloca o coletivo acima do individual. Mas quando falamos em socialismo os críticos já rebatem com exemplos distorcidos de ditaduras socialistas. Mas obviamente não estou falando de um socialismo totalitário, que por sua vez dá dois passos para trás e se assemelha ao absolutismo. Mas sim de um socialismo que de fato pensa no todo, e que para isto, precisa ser democrático. Um socialismo que seja um novo avanço na história, um novo momento para o mundo, ou seja, um socialismo democrático, ou melhor, uma Democracia Socialista. Poi assim como lá atrás o pensamento liberal foi importante para nos livramos da opressão feudal, precisamos do socialismo para nos livrarmos da opressão do capital.
Você pode me perguntar o que vem depois, e eu te digo, que para Marx, seria o comunismo. Mas para mim, a democracia socialista é por si só a melhor alternativa. Porém quem dirá será o povo através de sua história. Mas se os liberais (e obviamente neoliberais também) pensam no indivíduo antes, eu penso que a verdadeira felicidade do indivíduo depende da felicidade do coletivo. E que ao invés de pensarmos cada um em si, precisamos pensar em um por todos e todos por um.