22 de março de 2013

Até quando?


Até quando iremos conviver com tragédias?
Até quando vamos deixar que pessoas morram por causa de interesses mesquinhos?
Até quando iremos nos enganar e fingir que o problema não é político?


                Infelizmente muita gente ainda restringe um bom político a aquele que “ajuda as pessoas”. O que no mundo ideal seria redundância, já que, um bom político, é aquele que trabalha pelo bem comum e automaticamente melhora a vida das pessoas. Mas mesmo assim a velha ideia de política patriarcal imediata ainda esta enraizada em nosso país. E por isso na nossa cidade, onde a coisa não é diferente, sofremos com a falta de um real entendimento da gestão pública e do papel de um bom político.

            Sei que sou suspeito, pois fui e sempre serei candidato a funções públicas, mas aponto este problema porque me sinto incomodando como cidadão comum. Todo mundo sabe, que todo ano, estamos à beira de uma tragédia ambiental. Não é surpresa para ninguém que de dezembro a abril metade da cidade pode cair. Mas mesmo assim, ano após ano, só acompanhamos medidas paliativas e imediatas – dignas da política que “ajuda as pessoas”. E quase ninguém, e quando digo isto incluo a população que só questiona na hora da tragédia, se pergunta o por que de Petrópolis está nesta situação, como Petrópolis vai sair desta situação e até quando Petrópolis vai ficar nesta situação.

            Só não digo que ninguém se questionou, porque ainda em campanha, vi uns dez candidatos (incluindo eu) falando que nossa cidade precisa ser repensada e replanejada. E quando falamos em repensar e replanejar a cidade, estamos expondo que vários problemas, como os oriundos das chuvas, começam aí. Estes acontecimentos mostram o quanto nossa legislação é atrasada e tendenciosa para as minorias burguesas, já que foram feitas apenas para facilitar ao acúmulo de poder e renda. Assim, para algumas pessoas ficarem mais ricas sacrificamos todo o desenvolvimento da cidade, e logo, a vida de nossa população.

                Parece que ninguém percebe ser impraticável ainda vivermos ao estilo colônia portuguesa, onde tudo acontece entorno da praça principal da cidade, se ignorando os bairros afastados. O quanto é ridículo tratarem nossas zonas urbanas da mesma maneira que outras cidades relativamente planas fazem. Que é desumano permitir que as pessoas construam em áreas perigosas só criando política habitacional depois que estas mesmas pessoas perdem suas casas e familiares.

              Falo com propriedade, pois já participei de diversos conselhos municipais e audiências públicas que discutem o tema, e infelizmente não vi perspectiva de mudança. Vi poucas pessoas boas, que pensam em soluções práticas e muitas pessoas retrógradas adeptas dos velhos e impraticáveis grandes complexos habitacionais. Sei que o problema é grande e nada fácil de resolver. Mas não será resolvido enquanto os desinteressados e os despreparados tiverem o poder. Poder dado por nós mesmos aos políticos que nada ajudam ao “ajudar as pessoas”. Político bom é o que pensa pra frente e tem gestão para melhorar a vida das pessoas de verdade. Pois ajudar as pessoas é obrigação de qualquer um, sendo político ou não.