18 de junho de 2013

Pouco conhecimento



A única coisa que me preocupa nas manifestações é a proliferação do "pouco conhecimento". Coisa perigosa que descaracteriza o movimento, cria desunião e perde o apelo popular. São meias verdades que se transformam em dogmas e transformam os manifestantes em mero reprodutores, consumindo o caráter crítico e revolucionário de quem participa. Por que falo isto? Pelo que vi pessoalmente, desde o primeiro dia de movimento, e pelo o que ainda vejo nos cartazes.

1-"Não queremos copa."

Quero deixar claro que não assisto mais tanto futebol, pelo simples fato de preferir outros esportes. Logo, posso falar sem ser taxado de "espectador doente". Mas acho pobre debatermos a copa sem levarmos em conta o que um evento deste nível trás para o país. Não digo só na área do Esporte, do Turismo em sim, mas também em termos econômicos: infra-estrutura impulsionada, geração de empregos, exposição do país, etc. Barcelona é um ótimo exemplo do avanço que um grande evento pode causar e como um país pode se beneficiar disto.

Se queremos discutir os grandes eventos, precisamos discutir sua execução e não a sua realização. Ao invés de falarmos que não queremos copa, precisamos falar que não queremos investimentos desproporcionais em estádios. Que não queremos corrupção no uso de verbas públicas e que estás devem ser priorizadas em outras áreas. O problema da Copa, e das Olimpíadas, é o superfaturamento, o abuso em ingressos e a falta de fiscalização. Inclusive fortalecidos com a omissão do Governo Federal, o que, como petista, me dói muito.

Esse papo de que quem gosta de futebol é alienado é balela, já que nem na ditadura essa estratégia de alienação deu muito certo. É julgar sem conhecer.

2-"Partido é corja de ladrão."

Frequento partido desde os 11 anos, me filiei aos 16 (como manda a lei), trabalho há quase 5 anos no serviço público e nunca fui ladrão. E digo, com propriedade, que partido é como qualquer instituição: tem gente boa e tem gente ruim. E aonde tiver ser humano será assim, sejam em partidos, grupos de amigos, igrejas ou passeatas. Generalizar é ser intolerante, e intolerância não une, muito menos um país.

Não fale do que você não conhece, só fale sobre o que você sabe. Não sabe? procure saber e questione suas próprias opiniões. Não abrace qualquer causa atraente sem saber sua essência e não seja manipulado. Por isto pouco conhecimento é tão perigoso, porque ele te faz manipulável.

3-"Somos contra o sistema."

Qual sistema? O sistema capitalista? Concordo com você. O sistema democrático? Discordo de você. Já que muita gente, que inclusive inspiram o movimento, lutaram e deram a vida por isto. Logo não atrase o que foi conquistado com tanto custo.

As instituições do Estado: Governo, Justiça, etc, são feitas por pessoas, e se não funcionam, devemos trocar as pessoas e não derrubar algo que deveria funcionar. E felizmente, pela luta do passado, nós podemos trocar as pessoas de 2 em 2 anos. Só que nessa hora muita gente esquece de ser patriota.

Enfim, posso ser chato as vezes, inclusive muitos amigos já vieram falar comigo: "Yuri não se exponha muito, você foi e será candidato". Agradeço o apoio de sempre destes amigos, mas eu não quero, e nunca serei, alguém emparelhado pelo processo eleitoral. Preciso me expressar, ouvir, questionar e ser questionado, pois só assim teremos uma democracia de fato verdadeira e participativa. Só sendo transparente que terei apoios verdadeiros.

Acredito que as manifestações, que estão LINDAS, precisam ser ampliadas, principalmente no que tange ao debate político. O POVO quer SOLUÇÃO e por isto não podemos deixar que a indignação nos cegue, gerando violência e intolerância política. Não vamos generalizar, um governo se faz de erros e acertos. Vamos RESOLVER e não simplesmente reclamar. Vamos CONHECER e não simplesmente FALAR. Vamos MUDAR e não DESTRUIR.

UNIÃO NA INTERNET, NAS RUAS E ALÉM DAS RUAS!