13 de julho de 2013

Sem medo de ir a luta!



Todo mundo já ouviu aquela máxima: o povo unido jamais será vencido, mas pouca gente percebeu que não adianta o povo estar unido sem estar organizado. Sem transformar ideias em objetivos, sem usar a força com estratégia, sem saber exatamente o que quer e como quer.

E no último mês, o Brasil, viveu este dilema quando levou milhares de pessoas as ruas. Pessoas motivadas por uma sensação coletiva de mudança que culminaram em diversas frases, inúmeras críticas, mas poucas sugestões. Sem dúvida um grande momento em nossa democracia, porém uma grande demonstração da pouca consciência política de boa parte da população.

Acompanhamos pessoas reproduzindo discursos genéricos, aderindo às massas sem saber ao certo porquê, defendendo ideias superficiais. Pasmos, ouvimos gritos em defesa de regimes totalitários, ofensas generalizadas aos sindicatos e agressões perante aos partidários. Vimos o discurso antidemocrático crescer e as críticas se transformarem em intolerância. Prato cheio para quem quer que o povo não reconheça seus meios de luta, momento único para quem ganha com a desmobilização dos trabalhadores e oportunidade exclusiva para destruir as chances de nos organizarmos.

Quem quer o fim dos partidos? Quem quer o fim do movimento estudantil? Quem quer o fim dos sindicatos? Os mesmos que fazem deste país um negócio há anos. Os mesmos que não querem que avancemos em nossa formação política. Os mesmos que pagam parte da imprensa para você só ver o lado ruim da política.

Não deixo de admitir que precisamos rever nossas leis sindicais e partidárias. Não ignoro que possuímos líderes sindicais e políticos viciados no poder. Mas reconheço que o grande problema se encontra na não participação da sociedade, e não na estrutura em si. Os culpados não são os partidos, os culpados são aqueles que deixam os partidos nas mãos de quem não presta. Os culpados não são só os governos, os culpados são aqueles que votam por votar. Os culpados não são os movimentos sociais, os culpados são aqueles que não se organizam para melhorar a vida dos brasileiros.

Criticar é mole! Falar sem conhecer mais ainda... Porém fazer parte e se responsabilizar é difícil, mas é o que verdadeiramente transformará nosso país. Não adianta irmos às ruas hoje e ignorarmos o processo democrático de amanhã. Nada colabora quem taxa o honesto de corrupto, o militante de vendido e o trabalhador de encostado. Não devemos tratar como inimigo quem quer lutar do nosso lado.

Não quero dizer que toda pessoa politizada deve se filiar ou se associar em partidos e sindicatos. Mas acredito que o povo deve ser organizar, da maneira que achar melhor, sem preconceito e sem medo de batalhar contra os que se aproveitam deste país. Devemos lotar as ruas, ir as urnas, encher os conselhos, lotar os fóruns, criar associações, lutar nos sindicatos e democratizar os partidos.

Chega de olhar apenas o efeito do problema ignorando a causa. Antes de dizermos "Não à Corrupção!" precisamos dizer "Sim à participação política". É compreensível o desanimo com a política, mas desanimados não mudaremos nada. Precisamos identificar os políticos que lutam do nosso lado dentro das câmaras e assembleias. Devemos reconhecer quem milita por nós nas organizações políticas e sociais. Não temos que dividir, mas sim convergir com quem quer um país melhor.

Enfim, muitos corruptos estão na política porque muitos homens de bem se afastaram dela.