Todo mundo já ouviu aquela máxima: o povo unido jamais será
vencido, mas pouca gente percebeu que não adianta o povo estar unido sem estar organizado.
Sem transformar ideias em objetivos, sem usar a força com estratégia, sem saber
exatamente o que quer e como quer.
E no último mês, o Brasil, viveu este dilema quando levou
milhares de pessoas as ruas. Pessoas motivadas por uma sensação coletiva de
mudança que culminaram em diversas frases, inúmeras críticas, mas poucas sugestões.
Sem dúvida um grande momento em nossa democracia, porém uma grande demonstração
da pouca consciência política de boa parte da população.
Acompanhamos pessoas reproduzindo discursos genéricos,
aderindo às massas sem saber ao certo porquê, defendendo ideias superficiais.
Pasmos, ouvimos gritos em defesa de regimes totalitários, ofensas generalizadas
aos sindicatos e agressões perante aos partidários. Vimos o discurso antidemocrático
crescer e as críticas se transformarem em intolerância. Prato cheio para quem
quer que o povo não reconheça seus meios de luta, momento único para quem ganha
com a desmobilização dos trabalhadores e oportunidade exclusiva para destruir
as chances de nos organizarmos.
Quem quer o fim dos partidos? Quem quer o fim do movimento
estudantil? Quem quer o fim dos sindicatos? Os mesmos que fazem deste país um
negócio há anos. Os mesmos que não querem que avancemos em nossa formação política. Os mesmos que pagam parte da imprensa para você só ver o lado ruim da política.
Não deixo de admitir que precisamos rever nossas leis
sindicais e partidárias. Não ignoro que possuímos líderes sindicais e políticos
viciados no poder. Mas reconheço que o grande problema se encontra na não participação
da sociedade, e não na estrutura em si. Os culpados não são os partidos, os
culpados são aqueles que deixam os partidos nas mãos de quem não presta. Os
culpados não são só os governos, os culpados são aqueles que votam por votar.
Os culpados não são os movimentos sociais, os culpados são aqueles que não se
organizam para melhorar a vida dos brasileiros.
Criticar é mole! Falar sem conhecer mais ainda... Porém
fazer parte e se responsabilizar é difícil, mas é o que verdadeiramente
transformará nosso país. Não adianta irmos às ruas hoje e ignorarmos o processo
democrático de amanhã. Nada colabora quem taxa o honesto de corrupto, o
militante de vendido e o trabalhador de encostado. Não devemos tratar como
inimigo quem quer lutar do nosso lado.
Não quero dizer que toda pessoa politizada deve se filiar ou
se associar em partidos e sindicatos. Mas acredito que o povo deve ser
organizar, da maneira que achar melhor, sem preconceito e sem medo de batalhar
contra os que se aproveitam deste país. Devemos lotar as ruas, ir as urnas, encher
os conselhos, lotar os fóruns, criar associações, lutar nos sindicatos e
democratizar os partidos.
Chega de olhar apenas o efeito do problema ignorando a
causa. Antes de dizermos "Não à Corrupção!" precisamos dizer
"Sim à participação política". É compreensível o desanimo com a política, mas desanimados não mudaremos nada. Precisamos identificar os políticos
que lutam do nosso lado dentro das câmaras e assembleias. Devemos reconhecer
quem milita por nós nas organizações políticas e sociais. Não temos que
dividir, mas sim convergir com quem quer um país melhor.
Enfim, muitos corruptos estão na política porque muitos
homens de bem se afastaram dela.
