10 de junho de 2014

Eu vou torcer!

Como disse a presidenta Dilma Rousseff, devemos falar da copa sem discurso triunfalista, mas também sem pessimismo!

Não quero escrever apenas como presidente de partido, mas como brasileiro e militante. Já que vejo a tentativa covarde, e desesperada, de descaracterização da copa como um grande ato de empobrecimento político. Não porque partem da oposição ao governo, mas porque minimizam questões profundas e brincam com a democracia buscando a sua manipulação e instrumentalização por interesses obscuros.

A copa deve ser sim um palco de manifestações políticas, é claro, quem dera que todos os espaços fossem palcos de manifestações políticas. Porém, se manifestar politicamente vai muito além de se proclamar questionador perante os gastos da copa, que hora, eram um absurdo por não terem sido investidos em saúde e educação, argumento furado a partir do momento que se depararam com a realidade e tomaram conhecimento dos grandes investimentos públicos nas duas áreas, e depois, um absurdo por serem um ralo de dinheiro público, desconhecendo a real fonte do dinheiro (financiamento não é doação) e desvirtuando os papéis dos governos federal, estadual e municipal.

Se manifestar não é reproduzir o discurso de vídeos de "opinião" do youtube, é muito mais do que bater palma para a decoreba do Arnaldo Jabour e nunca foi escolher um dia do ano para se paramentar de revolucionário e dizer que fez a sua parte na luta por ter tomado um corre da polícia.

A luta é feita com muito mais, a revolução é permanente e ser militante é bem mais difícil do que consta no manual do Anonymous. É brigar pela desmilitarização da polícia quando ninguém concordava e quando poucos tinham sofrido com o abuso policial, é questionar o imperialismo de organizações como a FIFA antes de a copa chegar aqui, é discutir política na internet quando o legal era apenas enviar depoimentos no orkut para os melhores amigos, é colocar a cara em uma eleição, combatendo candidatos do cartel de empreiteiras financiadoras de campanha, antes de se construirem estádios. Entre outras milhões de coisas que um militante passa dia a dia sendo tachado de mamateiro político e chato.

Mas, voltando a copa, é fato que a sua organização foi cheia de problemas que deverão ser fiscalizados e se desdobrar em punições. O que não justifica o pessimismo premeditado, desde quando fomos eleitos como cidade sede, de argumentar que o Brasil não tem capacidade para grandes eventos. Um complexo de inferioridade sujo e orquestrado por aqueles que nos descaracterizam como nação desde o período colonial. Um discurso criado por canalhas que fazem de nossa vida um negócio e tentam encher a cabeça dos brasileiros e brasileiras que construíram, e constroem, os avanços deste país.

Peço aos nossos compatriotas que não comprem discursos enlatados, que se soltem dos grilhões da sensação de submissão, que se manifestem politicamente SEMPRE, que busquem os fatos além do que é dito por aí, e que torçam, pois nem os grandes interesses nos retirarão o direito de tomar uma cervejinha com os amigos, de xingar o juiz ou de gostar de futebol, nem que seja gostar dele por 1 mês! E isso não nos faz pior ou melhor do europeu que toma espumante acompanhando corrida de cavalos ou do americano que come hamburguer e bebe uísque assistindo basebol. Ser torcedor não é ser idiota, gostar de futebol não é contraditório com entender de política, e gritar pela seleção não é bater palma para a CBF ou para parte dos jogadores vendidos que compõe o elenco.

O Esporte é lindo, o encontro de nações se respeitando mais ainda e, por mais que queiram, não podemos permitir que isto seja descaracterizado. O problema não é a copa, nosso problema é este sistema que está transformando tudo em interesses egoístas. 

Eu sou brasileiro, militante, e não vão me alienar me retirando até mesmo o direito de torcer!