O que parecia mais um dia de jogo, festa e bebedeira se tornou uma vergonha. Não apenas pelo placar de 7x1, algo inexplicável, mesmo que fruto de uma derrota temida por quem via o modo de jogar não convincente do Brasil, mas também pelo desenrolar da Copa, da seleção e do próprio povo brasileiro.
Tudo começou com o discurso batido e fácil do "#nãovaitercopa", influenciado pela mídia golpista, construído por críticas superficiais e motivado por oposicionismos ao governo federal. Movimento que ao invés de criticar, legitimamente, os erros de organização da Copa, que por si só estão à quem do que os próprios críticos esperavam, preferiu aderir ao discurso pessimista, colonialista e submisso de que o Brasil não sabe fazer nada direito - esquecendo que o Brasil somos nós mesmos.
O segundo passo foi a contaminação do patriotismo por uma posição partidária, isto é, não ligar para a Copa porque esta Copa foi organizada por um governo composto por um partido que, por ser situação, se tornou alvo de todas as críticas políticas possíveis. Ou seja, a falácia de não torcer para o Brasil por não concordar com o governo vigente. Algo absurdo, já que se fosse assim, não deveríamos torcer nunca, pois a CBF, e a FIFA, sempre foram uma vergonha independente de governos.
A terceira questão é como isto tudo afetou, o que não quer dizer que causou por si só o estrago bizarro do dia de hoje, nossa torcida e nossos jogadores. Brasileiros e Brasileiras, que sonhavam com uma Copa aqui, abriram mão do simbolismo do esporte (superação própria, conquista, união...) e resolveram ignorar o valor de se comemorar um gol, uma vitória e um título. Não generalizo, é claro, mas percebo que, em minha curta experiência em Copas, esperava mais em ânimo e expectativas de nós mesmos. Isso, por ter nascido em 90, ter lembranças de 94, ter sentimentos de 98, alegrias entre as figurinhas de 2002 e ter passado por 2006 e 2010 irritado.
Mas agora, em 2014, mais lúcido e maduro, me sinto bombardeado com as propagandas de bancos, operadoras de celular e empresas que se apropriam e desvirtuam o valor do patriotismo para enriquecer acionistas estrangeiros. Me sinto ofendido pela posturas midiáticas de alguns jogadores que entram em campo para demonstrar novos cortes de cabelo e esquecem do futebol. Sinto incômodo por meus compatriotas, e me incluo neles, conseguirem fazer piada depois de um sarrafo desses.
Perdemos mesmo o que tínhamos de melhor: o calor, a força, a vontade e garra de um povo forjado na exploração e luta. Alguns podem achar que estou dando importância demais para uma Copa, mas outros, os que viveram o esporte nas veias, sabem do que estou falando, sabem do que ele representa. Não é a Copa, não mesmo, somos nós, que estamos nos abatendo pelos interesses alheios. Que aceitamos qualquer discurso, que compramos posturas batidas e aceitamos verdades irreais. O que queremos ser? Nós mesmos ou um projeto deles? Deles que ganham até com a nossa derrota.
Temos que recuperar o que tínhamos de melhor, caso contrário, simplesmente deixaremos de ser.