Nessa semana fui surpreendido com a carta de um amigo de infância, o que por si só já teria valor, mas que me emocionou mais ainda pelo fato de, mesmo depois de tanto tempo, ainda mantermos uma relação de irmãos: aconselhando, ajudando e torcendo um pelo outro. Uma carta escrita por alguém que admiro demais também pelas suas características únicas de dedicação, disciplina e sucesso. E por sua atuação profissional que transforma a advocacia em algo além das questões jurídicas, em algo com essência de luta pela justiça social, pela igualdade, direitos e deveres. Eduardo Gibrail, meu brow, infelizmente você não tem facebook, mas agradeço de coração por estas palavras que renovam meus ânimos na luta política. Segue a carta:
"Yuri Moura: Mais do que dedicação, política é vocação...
Sim, vocação - Tendência ou inclinação para um estado, uma profissão / Aptidão natural, segundo o "Aurélio". Fácil observar isso, não apenas pela expressiva votação obtida nas últimas "municipais", mas, principalmente, pelo seu jeito tão simples de lidar com a magnitude que é a política partidária. E que fique claro, desde logo, que ser singelo não é, aqui, sinônimo de se apequenar. Ao contrário, sua simplicidade quer dizer objetividade, retidão. Quer retratar que gestão pública é racionalizar, muita das vezes de maneira modesta, o que a sociedade carece. Quer demonstrar que fazer o simples, hoje, é fazer muito. É ser, porque não, ousado, quando couber.
São anos observando, de longe – ou nem tão distante assim –, a sua evolução em relação à política. Na verdade, tal progresso se deu na medida em que as oportunidades lhes foram sendo oferecidas, porque sempre acreditei que, em razão de sua vocação, tinha muito mais a oferecer do que aprender, sobre o tema.
Política e gestão pública, como se sabe, são assuntos rodeados de críticas, desilusões e descrenças. É pensar nisso e logo associar o tema a dinheiro. Hipocrisia minha seria dizer que nunca fiz mentalmente essa aliança.
A depender do trato que se tem com a palavra “política”, devo dizer que, quando referir-se a “politicagem” – ínsita nos três poderes, que fique claro – será como “carta fora do baralho” de Yuri Moura, que me inclina, sem que ele mesmo tenha essa pretensão, a respeitar o sentido virtuoso que se deve dar a palavra.
Dentre tantas interrogações e inseguranças, e em meio a atual crise de ideologia partidária que tanto confunde quem se encoraja a tentar entender o sistema eleitoral vigente, Yuri Moura é a singela e, ao mesmo tempo, gigantesca certeza de que política não é nenhum “bicho de sete cabeças”. Como ele mesmo diz, política depende de quem faz.
Mil duzentos e quarenta e um votos, sem o império financeiro dos demais, infelizmente é raridade. Militantes acompanharem seu candidato preferido, tão-somente por acreditar numa ideologia que se mantém intacta por anos, é visto com estranheza. Eleger-se presidente municipal de um partido político com vinte e três anos de idade é tido como afronta. Quanta discrepância. A regra, hoje, é exceção... Será?
Não pode e tampouco deve ser. Então, sejamos coerentes e nos esforcemos para crer que não se trata, em verdade, de exceção. Isso tem outro nome: dedicação. Aliás, mais do que isso. Yuri Moura, para a política, tem mesmo é vocação!
Eduardo Mesquita Gibrail."