12 de outubro de 2014

Pela nossa identidade

Sim, a Região Serrana tem uma forte expressão conservadora. Seja por parte de seu papel na história, principalmente no império e na ditadura militar, ou pela ideia absurda, mas não difícil de ser escutada por aí, de que a colonização européia nos deu "sangue azul".
Porém, não nos limitamos a este tipo de pensamento. Não somos todos seguidores de uma identidade pré-moldada no contexto da cidade imperial. Nossa história completa não nos permite isto. Já tivemos em Petrópolis os maiores movimentos grevistas do início do século passado, e, por toda a história, grandes mobilizações populares, desde os quilombos até células de resistência à ditadura.
A nossa luta não deve ser apenas política e eleitoral, pois disputamos a real identidade do petropolitano. Seremos da Petrópolis que não avança por medo, cativada por aqueles que se beneficiam de nossa postura passiva, ou seremos da Petrópolis que reconhece quando avançamos, e, assim, se posiciona para lutar por mais?
Não diminuo quem declara voto em Aécio, desde que seja um voto de opinião e não baseado em especulações eleitoreiras. Acredito que muita gente vota nele por querer e acreditar que o Brasil pode avançar mais. Mas discordo, e muito, pois entendo que o projeto que ele defende é submisso ao mercado internacional, beneficia poucos, excluí muitos e ignora as nossas desigualdades sociais.
Mas também acho contraditório ouvir por aí que o Brasil está ruim, que nosso momento econômico é pavoroso, e que, mesmo 12 anos depois, ainda devemos a parte boa ao governo FHC. Discurso cômodo e engraçado, ainda mais quando você ouve, das mesmas pessoas, que discutem seus gastos exorbitantes nos finais de semana, os problemas do seu carro zero, a correria entre suas 2 faculdades e cursos de pós, seus planejamentos de viagem ao exterior e pouca capacidade de bateria do seu iPhone por usar muitos aplicativos.
Todos possuímos conquistas próprias, todos trabalhamos por uma vida melhor e mais confortável, mas é arrogância acharmos que conseguimos tudo sozinho, ignorando o papel do governo e da sociedade em nossa vida. Então, pensem sobre isto, pensem em como nossa vida mudou nos últimos 12 anos, todas as possibilidades que surgiram, e toda a igualdade que começou a nascer.
Não sejamos petropolitanos sem identidade. Tenhamos a nossa própria, completa, sem história pela metade e mal contada. Vamos agarrar as chances para criarmos mais oportunidades.
Vou de Dilma, pelo projeto que acredito, pela identidade que defendo para o Petropolitano e por querer mais mudanças e mais futuro.