4 de dezembro de 2014

Mais solidariedade, menos caridade

Nunca gostei muito da palavra Caridade, não em termos etimológicos, mas pela forma como ela se consolidou no entendimento das pessoas. Sendo vista, muitas vezes, como algo de cima para baixo, um ato de superioridade, distinto e que afaga mais o ego de quem faz do que necessariamente ajuda.
Sempre preferi a palavra Solidariedade, esta é de igual para igual, expressa a relação que temos um com o outro, e demonstra que somos humanamente o mesmo, independente da condição social momentânea, já que riqueza e miséria, saúde e doença, são questões mutáveis para todos.
Pode parecer chatice, mas acredito que quando as pessoas entenderem a diferença entre as duas palavras, teremos uma sociedade muito mais honesta e justa. Assim, ao doar algo, seja seu amor, tempo ou algo material, ninguém irá cativar um vínculo de submissão, de dependência opressora perante outra pessoa. Mas ao contrário, irá demonstrar como todos nós possuímos uma dependência mútua, baseada no respeito ao outro, perante as situações da vida que podem atingir todos nós. Precisamos emancipar nossas consciências, uni-las, sem usar a dor do outro para agradar a si próprio.
Então, seja no Natal, na Páscoa, no Dia das Crianças, ou no dia a dia, precisamos ver além das datas e além de nós mesmos. Afinal, ajudar é apenas um dos primeiros passos para transformar.