Não quero mais discutir o óbvio: que a mídia é golpista, que a burguesia é poderosa e que hoje existe uma tentativa de criminalização dos partidos políticos, sindicatos e movimentos. Muito menos acho que devemos justificar, o esvaziamento destas instituições, apenas nestes fatos.
É hora da mea culpa, de discutir o que nós militantes faremos para resgatar a identidade de nossas instituições. Como provaremos para o povo que ainda existem muitos que lutam, que não se perdem e que encaram as dificuldades sem se aliar às negociatas políticas.
Presido um partido com cerca de 1.000 filiados, já tive a oportunidade de conhecer a realidade dos diretórios partidários, sindicatos e movimentos por diversos estados, e falo sem medo, que a discussão também deve ser interna.
Existem aos montes "militantes" interesseiros, egocêntricos, carreiristas, corporativistas e burocratas. Estes, que não lutam, infelizmente ainda possuem espaços nas colunas e espaços de luta das organizações progressistas. Por isso é preciso refletir e romper com os que nos afastam daqueles que realmente importam - daqueles que estão nas bases políticas da sociedade, daqueles que verdadeiramente representamos.
A prática precisa existir além do discurso e da pose. E, mesmo sabendo que todos somos humanos, que erramos e não somos perfeitos, peço que não desistam aqueles que ainda acreditam, e cobro que tenham postura ativa e não se vitimizem. Companheiros e companheiras, militantes de verdade, que ao meu lado não tiveram medo de lutar para renovar uma direção partidária municipal, de levar o partido para as ruas, de abrir diálogo com a sociedade, de aceitar críticas, de propor projetos e até mesmo de convocar para a comissão de ética aqueles filiados que se perderam - poderosos ou não.
Aparentemente não podemos fazer muito, mas o pouco que fazemos ainda vai mudar muito a vida das pessoas. Sou PT, um partido que está em disputa como qualquer instituição, que tem gente boa e gente ruim, afinal, até as famílias são assim. O erro vem dos homens, não da sigla, e enquanto eu reconhecer ao meu lado autênticos militantes, continuarei lutando pelo partido e contra os que se perderam. Pois quem fala de fora não pode generalizar a postura de 1,8 milhões de filiados.
Tenho nojo de discurso golpista, ele só desconstrói o país justo e democrático o qual muitos batalham há anos. Porém não vou sustentar as medidas conservadoras tomadas pelo governo, não concordo, não justifico e não defendo. Votei e militei pelo coração valente. Construo um partido que precisa saber fazer autocrítica. E assim, deve lembrar que além das ruas, e dos mandatos, nós temos a legitimidade de governar há 12 anos - ou se entende isso, e se responsabiliza, ou estamos trabalhando para nós mesmos.