26 de abril de 2015

Mais praças e menos mimimi!


Mais uma vez a problematização da liberdade e do convívio. Mais uma vez a criminalização da juventude.

As praças historicamente devem ser locais de união e lazer. Logo, fica claro que o problema aqui não são os pequenos acidentes, citados na matéria, que podem ser facilmente amenizados com diálogo e também resolvidos pelos agentes públicos. Mas sim, o esquecimento da função social da praça, como logradouro de comunhão, e agora, para piorar, incluído em uma lógica de disputa pelo espaço público.

Não, os skatistas não querem atingir ninguém - querem apenas praticar. Não, quem passa por ali não quer ser atingido - mas muito menos vê a praça como simples meio do caminho. Não, ninguém na história está errado!

A avaliação, infeliz mas verdadeira, deve ser a de que chegamos em um ponto aonde basicamente as pessoas não conseguem conviver. Um ranço obviamente criado pela falta histórica de incentivo ao convívio nos espaços públicos. Uma contradição, já que este afastamento é comum em cidades mais friorentas, porém não é comum em cidades relativamente pequenas como a nossa.

Ou seja, talvez agora, com a reforma da praça (não vou entrar no mérito do custo da obra), as pessoas estejam reaprendendo a ocupar os espaços comuns em harmonia. Um processo demorado de construção do respeito mútuo no convívio, que não deve ser desestimulado. Pois obviamente, com conscientização social e atuação do poder público, os pequenos problemas tendem a sumir.

Assim, não devemos tecer opiniões simplistas e ignorar o fato de que já somos confinados diariamente em uma lógica de competitividade, desunião e frustração. Por isso a integração das pessoas, no pouco tempo livre que resta, não será simples - por mais que devesse ser.

Mais praças e menos mimimi!