Tenho medo dos brasileiros com complexo de inferioridade. Ou melhor, não medo deles, mas medo do que a sua covardia pode fazer com este país. Ficam cegos, ignoram a história, não aprendem com o que acontece ao redor do mundo e amam ter dois pesos e duas medidas para tudo.
Criticam nossa democracia, não entendem como podemos ter sim, mesmo com todos os problemas, um dos processos eleitorais mais organizados do mundo. Não percebem que aqui, no Brasil, o roubo não vem da urna, vem das ruas: compra de votos, favores e apoios por interesses pessoais. Reproduzem que "em países de terceiro mundo nada funciona", desconhecendo a piada que são as eleições norte-americanas e os cartéis lobistas que são seus grandes partidos.
Clamam por justiça, querem redução da maioridade penal, cadeia para bandido e morte para os corruptos. Porém, quando o próprio filho erra, não considera isto um crime, até porque ele "é de família" e "quem nunca fez suas besteiras na adolescência?". Já o bandido que deve ir para a cadeia, só deve se for pobre, sendo ele totalmente diferente daquele amigo de infância que tem esquema para a sua empresa prestar serviço na Prefeitura. Afinal, quem não conhece algum vereador que pode facilitar as coisas com algum Prefeito? Políticos "que como todos os corruptos devem morrer" - diferente do amigo empresário que só estava tentando sustentar a família.
Aqui, bravam que o que é público não vai funcionar nunca. Lá fora, na Suécia por exemplo, voltaram atrás na privatização da educação, que caiu nos índices de qualidade quando virou um negócio. Nos EUA, privatizaram os presídios e as instituições socioeducativas para menores, depois descobriram esquemas milionários entre juízes, empresários, imprensa e políticos, para prender e apreender todo mundo que fosse possível - quanto mais gente na cadeia, mais caro fica o serviço prestado.
Mas, os brasileiros com complexo de inferioridade, não querem mais direitos, querem fazer daqui uma Europa, um Estados Unidos, um país de primeiro mudo. Nem que para isto seja necessário perder o que temos de melhor, afinal, para os complexados, é impossível estarmos a frente dos gringos em tantas políticas.