Um sábado à noite em casa, com ou sem UFC, é garantia de muita porrada na cara.
Não costumo ver os canais tradicionais (Globo, Record, etc), pela correria do cotidiano mesmo, mas toda vez que eu tenho a oportunidade termino me sentindo mal - e hoje não seria diferente. Novela tratando quem mora em favela como imbecil e quem vive no luxo como exemplo, ensinando novos conceitos de aceitação social, empobrecendo debates políticos importantes e tecendo padrões de opiniões.
No intervalo, após o bombardeio comercial, surge a máfia do Partido Progressista. Partido que assim como o meu, e todos os outros, e todas as outras instituições formadas por homens, tem sim muitos corruptos, hipócritas e fanfarrões. Mas que se destaca pela coragem de defender a ditadura em sua propaganda eleitoral gratuita, um espaço institucional garantido pela democracia, mentindo e dizendo que a vida era melhor quando nem a vida era valorizada.
Surge Bolsonaro pai, Bolsonaro filho, Júlio Lopes, e nessa hora eu só consigo pensar no UFC e no Belfort. Não só porque a violência no discurso destes crápulas também gera em mim o sentimento da violência como resposta. Mas sim porque nesta programação, por incrível que pareça, por mais comercial que seja o UFC, Belfort é a última alternativa de eu sorrir por sorrir, torcer por torcer, com a disputa justa entre dois homens em um octógono - sem a etiqueta hipócrita dos autores da Globo ou a demagogia dos "defensores da família" que só defendem a própria família.
O que vou fazer? Correr da Globo, ir para a rua, ver a luta e torcer. Pois mesmo com todos os problemas, o esporte, principalmente quando baseado em artes marciais, ainda consegue superar a contaminação do mercado com os seus imponderáveis, surpresas, histórias e exemplos de superação.
Sou alienado? Creio que não. Alienado não é quem toma uma cerveja vendo o jogo de futebol ou a luta da noite após uma semana de trabalho, mas sim quem votou no Bolsonaro pai, Bolsonaro filho ou Júlio Lopes, quando esses caras não queriam nem que você pudesse votar.