Quem sabe o cego sou eu, por não ter percebido que os grandes defensores da moralidade salvarão este país. Por não não conseguir entender que a política já era, que a humanidade não pode fazer mais nada e só Deus pode nos salvar.
Até porque, nada mais justo do que jogarmos esta responsabilidade nas mãos dele, interpretando palavas religiosas em favor das nossas opiniões, enquanto afundamos em ostracismo e nas próprias certezas absolutas. Talvez eu também deva pensar que sou melhor que o mundo, e assim não me envolver mais com política, tendo a chance de dizer que dela não dependo - pelo menos até eu precisar de um favorzinho ou sentir algum direito meu violado.
Quero poder apontar o dedo na cara daqueles que ainda se importam, principalmente aqueles hipócritas, que não percebem que todo problema tem um culpado. Pois quem sabe não teríamos violência se menores fossem para a cadeia, e não teríamos fome se não se preocupassem tanto com coisas pequenas: como o direito dos gays - nada contra, tenho vários amigos que são, apenas não acho certo eles poderem se amar, casar e adotar. Eu não fui criado assim, isto não é tradicional ou natural. Até porque, se já temos esse bando de menores cometendo crimes, imagina se gays pudessem influenciar em sua formação. Não é?
Talvez, pensando assim, posso me tornar uma boa pessoa, do tipo que acha que já fez o suficiente doando roupas velhas e participando de alguns movimentos pela paz. Justificando todas as minhas frustrações pessoais nos outros, mas nunca aceitando a minha parcela de culpa nos problemas da sociedade.
Posso esquecer o que acredito, largar o partido e deixar de me candidatar também - pois só interesseiros concorrem as eleições. Contribuirei sendo mais um "ativista digital" ou um "cidadão de bem". Aceitando a posição covarde de que nada pode ser feito, pois o problema é o "sistema" (o político, não o econômico, claro).
Acho que quero ser um idiota. Ou melhor, talvez eu já seja um por não pensar como eles.