Acho muito ruim, depois de 12 anos de nítidas mudanças sociais no país, termos que estar debatendo vitórias antigas, com claras chances de perdemos o que foi conquistado com muita luta.
Quando achei que iríamos iniciar o debate sobre a Reforma do Ensino Básico, transformando o currículo escolar de mercado em um currículo cidadão e humano, fomos obrigados a provar que, o nosso Estatuto da Criança e do Adolescente, é uma das melhores legislações do mundo, e que a Redução da Maioridade Penal foi construída em cima de mitos e passionalismos fora da realidade.
Quando pensei que poderíamos criar novos conceitos de economia solidária, associativismo e empreendedorismo criativo, em contraponto ao monopólio dos meios de produção, demos de cara com o fantasma das terceirizações focado na precarização, fim de direitos trabalhistas e desconstrução dos sindicatos.
Quando avaliei que iriam entender que a corrupção é social e não política, pelo envolvimento multipartidário nos esquemas, escancarando a participação ativa de empresas privadas, bancos internacionais, funcionários públicos, clubes de futebol, CBF e FIFA, eu caí do cavalo de novo. Ninguém entendeu e continuou julgando, personificando os problemas do país na Dilma e no PT, enquanto frequentavam suas igrejas, templos, ONGs, firmas e até reuniões de condomínio - tão atingidas pela corrupção como as outras organizações citadas acima.
Ou pior, quando percebo que é impossível discutir com alguém que ignora dados, fatos, a história, ou até mesmo o que acontece ao seu redor. Simplesmente porque o Bonner disse ou porque alguém compartilhou uma imagem no Facebook, geralmente sobre o relato de um criminoso que se deu bem com a delação premiada, ou o parecer de um almofadinha, que é visto com "grande jurista", porque o pai abriu os seus caminhos na carreira do judiciário - por mérito e de maneira honesta, claro.
Sinto que estamos perdendo a batalha. E o maior erro do PT, e principalmente o do Governo Dilma, é tenta conciliar. O Congresso faz o que quer porque o governo não tem capacidade política, apenas gerencia a máquina, frente uma crise mundial, com medo de perder o que avançamos até aqui. Um grande equívoco, pois justamente por não andarmos para a frente iremos ser empurrados para trás.
Enquanto isso, vejo o vidro da janela do meu quarto cheia de adesivos: "Fim do Monopólio nas Comunicações", "Desmilitarização da PM", "Chega de Extermínio da Juventude", "Reforma Política Já", "Reforma Urbana e Moradia" e "Tarifa Zero". Pois estas são as nossas pautas, que serão esquecidas até nós aceitarmos seguir cegamente a pauta deles, aqueles que só querem mudar a vida das pessoas para pior.
Amanhã estarei como delegado no V Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, em Salvador. Vou para propor mais avanços, um postura firme, progressista, sem medo de assumir erros, expor oportunistas ou romper com fisiologistas. Só assim mostraremos para o povo que o maior problema do Brasil é justamente aqueles que criam problemas para nos afastar da política - e assim continuar enriquecendo às nossas custas. Vou para transformar a tristeza em alegria, a preocupação em motivação e as ideias em luta.
Resistir sempre, subsistir jamais!