8 de julho de 2015

As pessoas estão se preocupando mais com o dano material do que com a vida humana


Acredito que a linha tênue, entre barbárie e civilização, se encontra nas situações em que podemos escolher, entre agir como um membro da sociedade ou apenas como um ser avulso. Nos momentos de reflexão, onde pensamos se queremos contribuir, e melhorar, a vida onde vivemos, ou objetivamos apenas que não interfiram em nossos domínios e posses.

Um questionamento de essência, de perspectiva de vida: ou você acha que muda o mundo e o mundo te muda, ou acredita no "cada um por si e Deus por todos" - o que, sinceramente, não ouvi nenhum Deus falar. A partir daí, da perspectiva de vida, nasce o senso de justiça, o seu certo e o seu errado.

Eu, de fora, como quem não quer nada, ando observando o senso de justiça de alguns (o Facebook é ótimo para isto, cheio de pegadinhas). E percebi, que há um tempo atrás, o filho do Eike Batista, em seu carro, acima da velocidade e alcoolizado, matou um homem simples. Mas ninguém disse que ele deveria ser linchado até a morte. Lembrei também, que isto já aconteceu em Petrópolis, algumas vezes, mas claro, quando é com conhecido, ninguém abre o bico, muito menos manda para o tronco. Ou seja, pessoas foram assassinadas, não houve comoção, indignação ou até mesmo senso de justiça.

Depois, outras pessoas foram assaltadas, muitas sofrem diariamente com isto, mas algumas, resolveram ir além do senso de justiça e se tornaram a "justiça" em si. Amararam os assaltantes, lincharam e assassinaram, movidos pela comoção, indignação e senso de justiça - antes esquecidos.

Os assassinos do volante eram brancos, playboys e com um "bom histórico familiar". Os assaltantes do tronco, eram negros, pobres e favelados. Os primeiros roubaram vidas, os outros bateram carteiras. Agora, se você defende "o cada um por si Deus por todos", eu te pergunto: Quem deve ir para o tronco? Deixa... Eu respondo!

Do seu racismo vem o afastamento com aquele amarrado no poste, o que facilita a perda de qualquer discernimento humano em atos violentos. Da sua perspetiva de vida egoísta, voltada para as posses materiais, surge a indignação desproporcional entre um assalto e um assassinato, que inclusive te dá a ilusão de maior aproximação com os criminosos ricos do que com o criminosos pobres.

Eu, agora não mais de fora, e querendo mudar tudo, não acredito que justiça seja feita em praça pública, em nenhuma das situações citadas. Acredito que, mesmo humanos e cheios de erros, podemos melhorar a vida em sociedade. E isto não se dará com atos violentos revestidos de hipocrisia.