22 de setembro de 2015

A catarse democrática

O PMDB governa o estado do Rio de Janeiro há quase 12 anos. O Rio de Janeiro continua como um dos estados mais desiguais, problemáticos, corruptos (das oligarquias políticas até os conglomerados empresariais) e violentos. Pois agora, para quem não sabia, a UPP enfim mostra ao que veio.
Segurança Pública? Pacificação? Garantia de direitos? Educação? Não. Apenas extermínio, criminalização da pobreza e abertura de espaço para a iniciativa privada ganhar algum. Uma breve sensação de proteção que custou a vida de centenas de Amarildos e que ampliou a violência pelo interior do estado - o custo para garantir o rolé na Zona Sul.
Mesmo com isso, não vejo, e ainda estou aguardando, o "Fora Pezão", a "Ditadura Cabral", o "Picciani escravocrata", o "Cabralzinho anda de helicóptero" e outras constatações. Falas que a gente não escuta por aí com facilidade, principalmente em Petrópolis, onde muita gente ainda vota nos pupilos destes figurões, não é?
Já eu, desabafo tranquilo, pois não venho de uma dinastia, sou o primeiro político em minha família e enfrento diariamente, inclusive dentro do partido que presido, os carreiristas, os vendidos e os aliciadores/financiadores de campanha. Por isto tudo, me sinto no dever de alertar que o voto justificado no favor, na "amizade de infância", no qualquer para a gasolina e no aperto de mão na rua, custa caro demais - principalmente quando você descobre quem está verdadeiramente por trás do candidato boa praça.
E o por trás, hoje, não é bem o partido. O buraco é mais embaixo. Porque se você não vota em mim por eu ser do PT, mas vota no candidato corrupto que é financiado pelos mesmos empresários corruptos que financiam os corruptos que estão no PT, confesso não entender. E também não vou fingir que concordo, pois de candidato padrão, morno e falsiane, a política já tá cheia.
Parece piada ouvir lição de moral, por ser petista, de gente que caminha lado a lado com o PTB da família Bob Jeff, da boca dos apoiadores do PSDB que desgovernam e pilham São Paulo há décadas, dos cabos eleitorais de eternos mandatários, e isto sem falar dos demais partidos. Ou seja, um debate tosco, baseado na imaturidade e incapacidade de discussão política, detalhe, estou falando de política mesmo - a que muda a vida das pessoas - e não aquela de defender o seu "lado" a qualquer custo.
Mas, talvez, com todo o meu otimismo, a atual tonicidade do debate em torno dos arrastões nas praias e ônibus no Rio de Janeiro, possa acordar algumas pessoas que ainda não percebem que o problema da política não é partidário, governamental ou personificado. O problema é social e a sociedade vai além do poder público ou das organizações existentes, sejam partidos, igrejas ou associação. Ou é justo dizer que a Igreja Católica tem que acabar por causa de alguns padres pedófilos? Que por alguns pastores desonestos devemos acabar com as igrejas evangélicas? E que por alguns políticas corruptos qualquer partido deve ser extinto?
Assim, antes de qualquer análise simplista e reduzida, imploro que as pessoas percebam que ao mesmo tempo em que o país que está no quarto governo do PT, moramos em uma cidade que está no terceiro governo do PSB e em um estado que está no quarto governo do PMDB. Logo, se perdemos o tempo buscando culpados, não acharemos quaisquer solução. É hora de menos hipocrisia e mais vida real. Menos fanatismo e mais democracia.