"...foi percebido ainda que a faixa etária que mais tem tentado se matar é a de jovens com idades entre 15 e 25 anos. Os temores com o futuro e a falta de perspectiva na vida são as caraterísticas que mais influenciam essa atitude drástica no público mais novo...”
Nesta sociedade, onde se tornou normal, os pais se preocuparem mais com a "perspectiva profissional" do filho do que com a construção do indivíduo enquanto ser coletivo. Onde muitas "relações amorosas" se baseiam na estabilidade financeira, e muitas "amizades" nas falsas aparências e superficialidades, não podíamos esperar menos.
O "way of life" padrão, engolido diariamente, não permite erros inerentes aos humanos, não aceita nossas próprias limitações e não reconhece o que realmente pode nos fazer bem. Pelo contrário, massacra o que é bom em cada um, difundi o que nos confundi, nos diminui, nos afasta e nos torna perdidos em nós mesmos.
Joga a juventude em uma busca interminável por aquilo que ela nunca vai ter, pois o que fizeram ela achar que queria, quando conquistado, não fará sentido algum. Cada vez mais frustrados, indiferentes, concordando com tudo o que parece ser unânime e repelindo o que é dito ser estranho ou diferente. A velha tática de se unir contra um inimigo comum, mas nunca por algo que temos em comum, seja um sonho ou coisas do cotidiano.
Nasce uma falsa consciência, opiniões são importadas, e daí surge o julgamento simplista dos fatos: o "cidadão de bem" e a "escória da sociedade", o "cara normal" e o "fulano esquisito". Uma geração doente, que vai gerar uma geração mais doente ainda, e assim por diante.
Ficamos divididos pelos mesmos medos, sem saber ao menos que isto nos coloca lado a lado. Sem perceber que os temores serão maiores ao acordarmos todos os dias para construirmos um futuro que não acreditamos de verdade. E que a falta de perspectiva sempre será sentida ao não sabermos quem somos e o que realmente queremos.
Assim, torço para que, mesmo nos momentos de desesperança, a nossa atitude mais drástica não seja a citada na matéria, pelo contrário, seja a da transformação: a de ir além do que disseram que somos.
