O cartel das empresas de ônibus cada vez mais faz o que quer em Petrópolis. Após os reajustes abusivos - garantindo aumento de 140% no salário dos seus diretores - e a prática de assédios, perseguições e demissões, a oligarquia do transporte, tenta passar por cima da lei e da justiça.
Em Janeiro, nós, movimentos sociais, partidos e militantes, fomos as ruas e ocupamos a Prefeitura de Petrópolis contra o reajuste e suas planilhas de custos especulativas. Em seguida, juntos dos trabalhadores e trabalhadoras prejudicados, estivemos firmes contra as demissões dos rodoviários, empregos que, por sua vez, são garantidos pela própria planilha de custos das empresas.
No meses seguintes, através do Partido dos Trabalhadores de Petrópolis, junto de nosso mandato na Câmara Municipal, entrei com ações no STF e no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, buscando a volta dos cobradores e da consequente segurança da população em suas viagens diárias. Vencemos na justiça, mas nada mudou, por mais que as denúncias continuem, por mais que o povo seja prejudicado com os atrasos nas linhas e sobrecarga dos rodoviários.
Semana passada, depois de muita luta, a Câmara Municipal de Petrópolis, aprovou uma lei municipal que obriga a presença dos cobradores nas linhas necessárias. O Prefeito, como sempre conivente, se calou e, antes de discutir a sanção da lei, abriu espaço para que as empresas ditassem as regras - a capa de hoje da Tribuna de Petrópolis fala por si só. Por que aumentar a tarifa se já pagamos pela presença dos cobradores?
Honestamente, me sinto sufocado e cada vez mais revoltado pelo fato de nossa cidade ainda ser uma província. Terra de poucos, para poucos, que nada se preocupam com os muitos. Porém, não vejo alternativa além da luta, seja ela nas ruas cheias ou vazias, na justiça eficiente ou comprada, nas instituições fortes ou corrompidas, na política de verdade ou na de hoje, limitada pelos interesses escusos.
Me sinto contra a parede dos poderosos, mas não me sinto confortável nesta posição. Muito menos permanecerei nela ou aceitarei a exploração que estamos sofremos. Rogo pelo fim da indiferença, pela força dos que não desistiram, pela vitória dos oprimidos e por uma cidade de todos.