24 de outubro de 2015

Os safados que se mudem

Ultimamente, tenho sido bastante questionado por alguns amigos sobre o atual momento do Partido dos Trabalhadores. Logo, enquanto militante político e dirigente partidário, me sinto no dever de evidenciar a minha posição.

O PT tem cerca de 1,8 milhões de filiados, 35 anos de história de contribuição ao Brasil, e assim, não pode e não deve ser classificado pelos erros ou acertos de poucos. Aliás, nenhuma organização deve ser conceituada pelas atitudes isoladas de alguns dos seus membros. Do contrário, até mesmo instituições religiosas não poderiam existir, pois já conhecemos casos de padres pedófilos, pastores especuladores e pais de santo mentirosos. Ou seja, o fato de alguém agir de forma contrária ao que a instituição defende não deveria descredibilizar a instituição em si, mas sim aquele que por motivações pessoais rompe com a ética e os preceitos da mesma.

Isto é, voltando ao PT, temos um estatuto, um código de ética e estamos passíveis a toda legislação vigente, assim, aquele que pensa e age de forma contrária a isto, é quem não deveria obviamente estar no PT.

Porém, eu também posso ser questionado sobre a possível conivência da direção partidária, ou de alguns companheiros, com os filiados que comprovadamente cometeram crimes - que são obviamente de menor número do que a oposição diz. Mas, para responder, é preciso clarear o conceito de democracia. Onde geralmente as pessoas se unem em torno de uma idéia, de um projeto, mas divergem nos caminhos que devem ser tomados, e daí surgem os partidos, que consequentemente terão uma discussão interna aflorada e também divergente. Portanto, o fato de a direção nacional não ter expulsado o Vaccarezza, por exemplo, não me faz condescendente com esta decisão totalmente errada. Pois, o PT, tem discussões, problemas internos e discordâncias - como em todo lugar que pessoas se reúnem. Deixo a prova de que, aqui em Petrópolis, não tive receio de convocar para a comissão de ética do partido, forçando diversas expulsões, grandes figurões que rasgaram o compromisso ético e partidário. Não só eu, como o nosso presidente estadual, que chegou a expulsar o prefeito de São Sebastião do Alto por corrupção.

O que comprova que o debate sobre corrupção vai muito além de um partido. Já que a corrupção é social, sistemática, contagiosa e invade, infelizmente, qualquer lugar que exista o ser humano. Cabe a nós, tentando acertar mais do que errar, combater estas práticas e aqueles que maculam nossas organizações. O que, pelo menos eu, posso dizer ser exatamente o que tem acontecido na parte do PT pela qual sou responsável: o Diretório Municipal de Petrópolis com cerca de 1000 filiados.

Ou alguém acha que é fácil, assumir um partido endividado, descredibilizado e cheio de falsos militantes viciados no poder, aos 23 anos de idade? Não, não é. Porém, foi neste mesmo partido que encontrei grandes companheiros e companheiras, jovens e mais velhos, de todos os segmentos e lutas, que não recuaram e nunca me deixaram recuar. Por quê? Porque desistir do PT é assumir nossa incapacidade de mudar as coisas, já que, se não somos capazes de mudar o partido na cidade, não seremos capazes de transformar a cidade em si ou a política como um todo.

Desistir nunca foi e nunca será uma opção. E nós não desistiremos, seja lutando contra aqueles que, mesmo filiados ao PT, se preocupam mais com o próprio bolso - estando muitas vezes a serviço de outros partidos - ou contra os poderosos grupos que dominam a política de Petrópolis há anos.
O PT não é o espectro do mal ou só algum político mandatário eleito. Ele é o líder sindical que luta por mais direitos, o líder comunitário que muda o seu bairro, o jovem que luta por educação, a mulher que quer igualdade, o negro que não admite o racismo, o gay que quer respeito e todos aqueles que querem mudar o que está errado - mesmo que isso comece pelo PT. Afirmo que somos destes, dos que sonham, lutam e sabem que a vida real não é simplista como um breve discurso demagogo.
Os safados que se mudem, pois eu continuarei no mesmo lugar!