Aplicativos justificam nossas relações. Mais mensagens do que podemos ler, mais amigos do que se é possível ter.
Postamos a vontade de felicidade, apostamos que ela vem da negação do sofrimento: por meio de fotos daquela praia bonita, da tal festa maneira, do mais novo affair e de alguns sorrisos da falsa espontaneidade - fotos legendadas de alegria, porém quase sempre postadas por um alguém triste, em casa, sem glamour, refém da nostalgia e da solidão.
Fazemos o que fazemos para fugirmos do vazio que nos tornamos, principalmente ao basearmos nossa existência nessa estética massificada. O que criamos se tornou maior que nós mesmos. São centenas de coisas, milhares de novidades e cada vez menos originalidade. A geração que pelas câmeras mostra mais do que vive, pelas redes aceita mais do que pensa e, adestrada na ideia do descartável, troca pessoas, aliás, trocamos nós mesmos.
Difundimos toda superficialidade sem pudor, mas temos medo de palavras como: amor, compromisso, respeito, etc. Dispersamos toda a nossa essência, abrimos mão da autenticidade, compartilhamos o senso comum e, apesar de não acreditarmos na arte, no conhecimento e na política, elegemos os reis dos camarotes, os líderes dos realitys, admiramos qualquer ninguém-alguém que todo mundo finge gostar e passa a copiar.
Me sinto um chato, mas sei que está nos faltado algo; além de toda a falsa normalidade. Estamos todos imersos nessa crise geral de identidade - apenas contaminados em níveis diferentes. Aceitamos a prisão da falsa liberdade, a mentira de achar que se é, a loucura de esquecer o olhar para dentro.