22 de março de 2016

Meus 26 anos

Logo mais, supero meus primeiros 25 anos. Otimista - como quem quer viver mais de cem - penso que perco apenas um quarto de minha vida. Só um sopro do que ainda está por vir.

Acumulo o que há pouco pensava ser coisa de adulto: o envelhecimento dos familiares, as namoradas, o fiado nos bares, as surpresas e decepções. Guardo vitórias, as vitórias de quem também já perdeu muito, e sorrisos, de quemtambém já conheceu a dor. Afinal, quem não?

Mas se falo em saudade, lembro do Tio Marquinhos; que não por coincidência morreu em 2006, perto de meu aniversário, há quase 10 anos atrás. Enfático, repetia curiosamente que eu jamais deveria me tornar um "comum" - algo que ainda adolescente não era fácil compreender. Mas agora, um pouco mais cascudo, consigo lhe entender.

Ser "comum" é se limitar, se contentar com o errado, aceitar as injustiças com apatia, engolir toda mentira, passear de cabeça baixa. É seguir o padrão, não questionar nada, se tornar indiferente, trilhar os roteiros impostos e fingir alegria quando só nos resta agir. É viver como um ignorante, influenciado, infiel a si mesmo e aos seus sonhos; não tendo opiniões, posições ou até humildade para mudar todas elas.

Eu ainda lembro daquele abraço do meu Tio após a morte de meu avô. Também das noites na varanda ouvindo suas conversas com meu pai; nas quais ele dizia que eu seguiria a carreira pública - sem saber que não participaria dela no plano material. Desta forma, o agradeço, não só pela proteção dada até hoje, mas principalmente por ter me ensinado a buscar algo além deste "comum".

Tudo pode soar arrogante, mas são suas palavras que me motivam todas as vezes em que tremo de indignação. Tenho sorte por toda a família que tenho. Sou grato aos amigos, companheiros e todos que fizeram parte desta etapa de minha vida. Agradeço a Deus pelas conquistas e pelos fracassos, aprendi em ambos.

Sigo minha história, igual a todo mundo, mas não esquecerei o que meu Tio me ensinou.