14 de novembro de 2016

O MITO E CANALHICE


Já não bastasse o deturpação dos fundamentos da coisa pública, ainda somos obrigados a engolir mentiras.

O mito de que a administração pública deve ser regida pelos princípios da iniciativa privada não só é errado como é cheio de segundas intenções. O mercado tem sua própria dinâmica, muitas das quais não devem ser reproduzidas em um governo.

A prova é que chegamos ao ponto em que, cortes em saúde e educação, são considerados boas medidas de austeridade. Como se frear a expansão da atenção básica nos bairros, construir menos escolas, realizar menos procedimentos cirúrgicos e investir pouco em merenda escolar, fossem análogos à um simples corte no custo da produção de uma indústria, por exemplo.

E aí vem a canalhice: propagar a ideia de que congelamentos no investimento público, e nos gastos sociais, são medidas de responsabilidade para retomar a confiança do mercado e superar a crise. Na verdade, nada são além de bravatas que ignoram os reais problemas e apenas garantem que nosso país continue refém dos grandes especuladores financeiros internacionais com seus juros e desmontes.

Gestão e responsabilidade é fazer do governo um verdadeiro propulsor da economia, incentivando nossa produção, cortando gastos sem prejudicar a vida do povo: nos salários dos políticos, nas despesas com mordomias, na burocracia, na corrupção, na falta de planejamento e na responsabilização dos milhares de governadores, prefeitos e vereadores que jogam pelo ralo os recursos federais. Qualquer pesquisa rápida na internet pode demonstrar que o Brasil não investe o que deveria em saúde e educação, perante as gigantescas demandas e até mesmo frente ao que países desenvolvidos despendem nessas áreas.

A coisa pública não é um simples balancete de "receitas x despesas", ela mexe com a vida das pessoas, e estamos falando de milhões delas que dependem dos serviços e políticas públicas. A conta de uma crise internacional, de erros nas políticas fiscal e econômica, da subserviência imperialista de um governo não eleito, não devem ser pagas pelo povo brasileiro.

Temer vem para cumprir a tarefa de acabar com o que é público, esmagar pequenos e médios empresários, favorecer as grandes corporações e os rentistas, sucateando as políticas públicas e tirando a esperança do povo em nosso projeto de nação. Tudo com a leniência de um Congresso golpista, corrupto e sem representatividade.

Aceitar o que está acontecendo (PEC 55, antirreforma do ensino médio, perseguição aos servidores, fim dos programas sociais, etc) é permitir que o ciclo de interesses saia vencedor. Que ciclo? O que começa com o financiamento sujo de campanhas eleitorais, compromete políticos, que por sua vez defendem a "decadência da coisa pública" e apontam para as privatizações/terceirizações como soluções, devolvendo o dinheiro para os seus financiadores e acabando de vez com a qualidade dos serviços e políticas públicas.

Entre o mito e a canalhice, lembrem-se: a administração pública não é um negócio. Defenderemos os direitos sociais nas ruas!

#ForaTemer #PECdoFimdoMundo