22 de abril de 2017

A DECISÃO É POLÍTICA


A gestão pública vai além dos discursos e da publicidade institucional, são as práticas que definem o projeto de cidade apresentado por um governo.

            Assim, pouco depois da apresentação do balanço dos 100 dias de Bernardo Rossi como prefeito, já é possível percebermos algumas características do atual governo. De forma fiel a cartilha padrão do PMDB, as coisas seguem com total falta de transparência e diálogo, no caminho do projeto de uma cidade-negócio, que aposta na propaganda e nos acordos para a amarração da base política aliada.
                A aprovação da lei de reorganização administrativa é o maior exemplo da prática iniciada pelo novo governo. Objetivando a governabilidade, através de mudanças tecnicistas (do tal estudo da Fundação Getúlio Vargas nunca visto) baseadas no discurso da crise e da “herança maldita” do governo anterior, a administração municipal tomou um formato que busca sustentar o que está por vir. Isto é, o esvaziamento das políticas públicas, a manutenção de centenas de cargos comissionados por indicações, terceirizações e o investimento massivo na zeladoria da cidade.

               A extinção da Fundação de Cultura e Turismo (FCTP) e a posterior junção das pastas de Cultura e Esporte demonstram o desinteresse do governo em ouvir os conselhos municipais, em discutir com a sociedade civil, em garantir autonomia aos servidores e em pensar políticas públicas para as pessoas ao invés de tratá-las como negócios. Fazendo o que quer, mentindo como pode. Prova disto é a argumentação de que a extinção da FCTP é baseada na Ação Civil Pública de 2004 onde o Ministério Público Estadual (MPE) propõe a extinção de cargos comissionados considerados inconstitucionais (artigo 37, inciso V).

      Jamais foi pedida a extinção da FCTP em si, que inclusive poderia ter sido defendida por este e por outros governos, no firmamento de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) junto ao MPE que comprometesse a mudança dos cargos comissionados pela criação de cargos efetivos, ocupados posteriormente por concurso público. Ou seja, como um ente da administração indireta, a autarquia FCTP não precisaria se transformar em uma secretaria, logo ligada a administração direta, caso o prefeito optasse por preencher os cargos com servidores de carreira e não por livres nomeações políticas. Assim, a criação da secretaria se fez como a única alternativa de manutenção dos cargos por livre nomeação sem a inconstitucionalidade - por se darem na administração direta. Fazendo na prática com que a pasta da Cultura não tenha autonomia, inclusive pela perda de patrimônio (Casa de Santos Dummont e Palácio de Cristal são exemplos) e a confusão dos fundos municipais, ambas as medidas inclusas na reforma administrativa aprovada com urgência pela Câmara.

      Na perspectiva da política pública, a junção das pastas de Cultura e Esporte, também é um erro, pois não entende as particularidades de cada área, muito menos suas importâncias para a cidade. A garantia do Sistema Municipal de Cultura e consequentemente do seu plano municipal, projetos e ações, como a do Sistema Municipal de Esporte e Lazer que em breve deverá ser consolidado em lei, dependem de estruturas administrativas e recursos próprios. Só assim teremos a chance de investimentos e atenção a estas áreas tão fundamentais para a qualidade de vida do povo petropolitano, como para a formação de nossa juventude. Agora, se o real interesse do atual governo fosse o enxugamento de secretarias e despesas, que fossem fundidas então secretarias como Defesa Civil e Meio-Ambiente ou até a de Obras com Serviços, Segurança e Ordem Pública. Medidas que apenas não se justificam por dois motivos, primeiro pelos acordos e dívidas políticas construídas ainda na campanha eleitoral, alimentados pela divisão de secretarias entre os partidos e apoiadores. Em segundo pelo projeto de cidade que o governo defende: mais “ordem” e menos políticas públicas.

   Por fim, a Prefeitura de Petrópolis continua sendo ocupada por inúmeros cargos de indicação política, com mais um governo que se sustenta nos acordos e apoios dos vereadores, vendendo o seu trabalho através da sensação de cuidado com a cidade, por meio da zeladoria do centro histórico e da propaganda de eternos investimentos, obras, empresas e empregos que nunca chegam. Por enquanto nada de novo, mas continuaremos acompanhando e ainda falaremos muito sobre Petrópolis e suas possibilidades de gestão nesta coluna. Sempre propondo verdadeiras mudanças e torcendo por Petrópolis!

Fonte: portalgiro.com